Te quiero, Bogotá!

Sempre quando minhas viagens começam a ficar boa, eu paro de escrever no blog. E com Bogotá não tem sido diferente. Vai ficar até difícil atualizar tudo de uma vez, mas vamos lá…

Bogotá. Nossa! Quero morar aqui. Juro. Meu santo só pode ter batido com o da Nossa Senhora de la Candelária!

Estou hospedada na casa do amigo de um amigo, um diplomata francês cujo apartamento, de todos os lugares em que já me hospedei por aí, só se compara com o do Christiano, em Nova York. Duplex. Zona nobre. Suspiro por um apartamento desses!

Encontrei o Franck (meu host) muito rapidamente na primeira noite, já que ele tinha um jantar de trabalho. Acabei indo jantar com o Juan Manuel, que conheci no curso em San José, a Natália, namorada dele, e um outro amigo, que tinham ido me buscar no aeroporto. Todos trabalham com o sistema interamericano também… o Juan no Ministério do Interior e a Natália e o Álvaro no Ministério das Relações Exteriores. Jantamos num restaurante italiano excelente chamado Amarti, no bairro de Usaquen. Esse bairro fica mais ao norte de Bogotá e é famoso por seus restaurantes e estrutura colonial. Era noite, então não deu pra ver muita coisa, mas me pareceu bem agradável.

Ontem cedo não sabia direito o que fazer, já que não tenho nenhum guia decente de Bogotá. Chamei um táxi e fui direto ao Museu Botero, a única referência que eu tinha do centro da cidade. O museu é ótimo e de graça. Além de Botero, tem Picasso, Renoir, Matisse, Miró, Dalí… tudo enquanto. E já falei que era de graça? Pois é. De lá, estava pertinho da Plaza Simon Bolívar. Claro que eu não sabia disso, mas quando perguntei ao pessoal do museu onde ficava o Ponto de Informação Turística (PIT) mais próximo, ele falou que duas ruas abaixo. Isso era na Praça.

A praça, aliás, é linda. Os pombos são meio nojentos, mas fazem parte do cenário. É como a nossa Praça dos Três Poderes, mas sem os três poderes. Cercando a praça estão o Congresso, a Catedral e o Palácio da Justiça. O PIT ficava em uma esquina. Consegui um mapa e um pequeno guia e a moça que me atendeu sugeriu que eu fosse ao Monserrate, o ponto mais alto de Bogotá, de onde se tem uma vista panorâmica da cidade.

Ainda não comentei, mas Bogotá tem um policial em cada esquina. Os todo de verde são da Polícia Nacional e os de camuflado são os militares. Os da Polícia Nacional são meio pau pra toda obra… até vi alguns como guias turísticos (tours gratuitos pelo centro saindo às 10h e às 14h dos PITs). Foi um deles que chamou o táxi para eu ir ao Monserrate e ainda falou pro taxista pra onde eu iria.

Os táxis aqui, aliás, são ridiculamente baratos. Do tipo… estou hospedada na rua 95 e uma corrida até a rua 8, na Candelária, centrão, dá tipo 12 mil pesos (algo como 10 reais). De onde eu estava para o Monserrate, foram 4 mil pesos!

A subida ao topo do Monserrate é em um trenzinho como o do Sacre-Coeur de Paris, que aqui se chama Funicular. Quando chegamos lá em cima, ainda temos que seguir, quase literalmente, uma via sacra morro acima (um caminho ao longo do qual tem esculturas dos vários momentos da via sacra) até chegar a uma igreja. Foi quando, curiosamente, encontrei um grupo de 10 cadetes brasileiros, todos da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), que estão em uma espécie de viagem-prêmio, fazendo um intercâmbio na Academia Militar da Colômbia. Vieram pra cá pra aprender a checar bolsa de mulher! Hehehe…

Mas aí outra coisa que é impressionante (e um pouco chata): em quase todo lugar que você vai em Bogotá (principalmente museus e até para passar na rua lateral do Palácio de Nariño – o palácio presidencial), tem que abrir a bolsa pra eles (policiais ou seguranças) verem. E ver não sei o quê, porque você abre, eles seguram por baixo (acho que pra ver o peso), olha por cima e te deixam passar. Hoje fui ao Museu Nacional da Colômbia (também de graça), e para entrar em cada exposição (a permanente e as duas temporárias) teve que abrir a bolsa, além de para entrar no museu em si.

Bom, do Monserrate, marquei de encontrar com a Eliana no centro para almoçarmos. A Eliana eu conheci no curso em Strasbourg, no ano passado, na época em que ela trabalhava como Voluntária da ONU em Goz Beida, no Chade. O Juan Manuel nos acompanhou no almoço também, em um restaurante executivo (já que todos os prédios públicos estão naquela região) chamado Amarillo. Bem bonzinho! E depois do almoço, o Juan me levou por um tour Direitos Humanos. Me mostrou onde fica o prédio do Programa de DH da Vicepresidência da Colômbia e me levou também ao MRE daqui, que fica no Palácio de San Carlos. Até agora não acredito que só a Diretoria de DH do MRE ocupa um prédio inteiro (tá, mais como uma casa inteira, mas mesmo assim!).

A Natália me contou que são quase 40 pessoas na DDH do MRE da Colômbia, todos trabalhando com divisões por tema, subtema e subsubtema (se é que isso existe). Por exemplo, uma menina que conheci trabalha, dentro do Sistema Interamericano, só com medidas cautelares e provisórias relativas a defensores de direitos humanos. Dá pra acreditar? Tudo bem que é preciso relativizar um monte de coisa, maaaas… Enfim…

Da Cancillería fui ao Museu do Ouro. Nada muito diferente do que eu já tinha visto em San José, mas a infra-estrutura deste de Bogotá é infinitamente superior (parece que foi reformado recentemente). E do Museu do Ouro, fui tomar um café com a Luisa, também amiga do Leo com quem ele me botou em contato. Uma querida!

Esqueci de dizer que ontem foi o dia sem carro em Bogotá. Nas ruas, só ônibus, táxis e carros oficiais. Não precisa nem dizer que, por volta das 17h30, era praticamente impossível conseguir um táxi nas ruas, então pegamos um ônibus até à região do Andino. É quando chegamos na melhor parte da cidade!

A zona nobre de Bogotá fica mais ao norte. Começa mais ou menos num bairro chamado Chapinero, mas começa a ficar boa mesmo na chamada Zona Rosa. A região do Andino é onde fica, na verdade, o Centro Andino, um shopping no coração da Zona Rosa. Tem também a Zona T, mas até agora não entendi qual a diferença entre as duas. O fato é que é uma região lotada de bares, restaurantes excelentes (como o Luna, onde jantei com Alan no domingo, logo quando cheguei na Colômbia), pubs, etc. Há, ainda, a Zona G, ou Zona Gourmet, que é um pouquinho mais pra baixo, mas também famosa pelos restaurantes.

Luisa e eu fomos a um café excelente chamado Bagatelle, onde ele me ofereceu um típico lanche Santaferreño: chocolate quente (que tava mais pro nosso leite com nescau) com arepas, tipo uma tapioca, mas com alguma coisa diferente, um pouco mais gordinha (sem ser a nossa tapioca com coco). Pelo que entendi, o café é como o Daniel Briand de Bogotá, mas menos cult. Até a esposa do ex-presidente da Colômbia tava por lá… Tem pelo menos uns quatro pela região norte. E depois, casa.

Nem bem cheguei, me arrumei e rapidinho saímos, eu e Franck, para a inauguração de uma academia num shopping. Imagina? Cheio de loura turbinada e eu lá… Uma amiga dele tava fazendo a parte de relações públicas do evento, mas não ficamos até o final. Saímos com essa amiga, Lena, para um restaurante na Zona G chamado Buda Gardens. Me pareceu agradável, mas não ficamos muito e terminamos a noite na casa da Lena. Quem lê até pensa que badalamos a noite inteira, mas não… inauguração da academia, Buda Gardens e casa da Lena. Não era nem 1h da manhã quando já estava no meu berço.

Hoje eu tava meio sem ter o que fazer. Já tinha visto praticamente toda a parte turística de Bogotá. Fui, então, ao Museu Nacional da Colômbia – já era umas 10h – e depois caminhei até o Palácio de Nariño (umas boas 25 quadras) para encontrar a Luisa e dois colegas de trabalho dela para almoçarmos. Fomos a um restaurante típico chamado “Sopas de Mamá y Postres de la Abuela” (postres é sobremesa… sopa é auto-explicativo!). A Luisa disse que eu não podia passar por Bogotá sem provar uma sopa chamada Ajiaco. E fui com fé! Era bem coisa que eu gostava: batata, arroz e frango. O milho vinha metade de uma espiga dentro da sopa (isso mesmo!) e também meio abacate em um pratinho separado com o arroz. Tem também que misturar creme de leite e alcaparras na sopa. Bom… é desnecessário dizer que eu dispensei as alcaparras e o abacate, mas tava excelente a sopa.

Na minha nunca antes existente fase de provar comidas/bebidas desconhecidas, tomei um suco de lulo, uma frutinha meio amarga com gosto parecido com o de siriguela. E de sobremesa, una leche asada, variação do nosso pudim, coberto de frutas vermelhas e um pouco mais consistente. Não poderia ter passado melhor.

Por fim, já sem muito mais o que fazer, fui ver a exposição Bodies, que está aqui em Bogotá. Os museus daqui, devo dizer, estavam todos vazios, mas a exposição Bodies tinha fila dando volta para entrar. Acho que peguei uma fila maior do que quando fui visitar a casa da Anne Frank em Amsterdã, então imaginem… E depois, lá dentro, conseguir ver os negócios tava pior do que conseguir ver a Monalisa no Louvre. Saí de lá por volta das 16h30 e voltei direto para casa. Daqui a pouco vamos sair para uma festa na Embaixada da Holanda.

Devo dizer que tive uma sorte tremenda em relação às pessoas que conheci na Colômbia… tanto os casais com quem fiz o tour na chiva e o passeio às Ilhas do Rosário em Cartagena, quanto as pessoas que encontrei em Bogotá. Santo Léo por ter me apresentado ao Franck e à Luisa. E muita sorte por ter conhecido o Juan Manuel no curso da Costa Rica. Sem contar o carinho, apoio e atenção do Alan e da Eliana, que eu já conhecia!

Super chevre!

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s